Leitor que chamou governador de “corrupto” pode nem existir. É justo usar o espaço para caluniar pessoas?

O jornal O Popular permitiu a publicação de uma carta de leitor, em sua Seção de Cartas, na qual o governador Marconi Perillo foi acusado de cometer crime de corrupção.

O leitor não apresentou provas da sua afirmação, muito grave. Como é muito comum em manifestações dessa natureza, o nome que assinou a carta pode nem ser verdadeiro.

O tratamento que O Popular dá para as cartas dos seus leitores difere do que é seguido pelos grandes veículos brasileiros. Jornais como O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo, bem como revistas como Veja e Época, por exemplo, rejeitam a publicação de cartas com acusações sem provas – o que se caracteriza como calúnia.

Juridicamente, todo jornal é responsável solidário pelo que é publicado em suas páginas.

O Popular, de pouco tempo para cá, passou a reproduzir no seu espaço mais nobre – a página de opinião – opiniões de leitores com acusações pesadas, sem provas, não apenas contra o governador do Estado. Essa é uma novidade editorial no diário.

Calúnias não se relacionam com a liberdade de expressão, que garante que até elas sejam veiculadas, mas estabelece – pelo recurso à Justiça assegurado pelo Estado democrático de Direito – que os seus autores sejam responsabilizados.

O pior é que, na sequência da carta caluniosa, O Popular continua publicando cartas de outros leitores, condenando a reação de quem foi vilipendiado, sob o argumento de que todo político tem de aceitar críticas.

Tem, sim. Críticas são normais em um regime democrático. Mas calúnias, não.