• Sinais preocupantes
Segundo relato do prefeito Hugo do Laticínios, ele alertou pessoalmente o governador Ronaldo Caiado e o vice-governador Daniel Vilela, dentro do carro oficial, momentos antes da inauguração do Anel Viário de Pires do Rio, sobre o superfaturamento da obra: R$ 75 milhões para 12,4 km de asfalto.
Já no palco, antes dos discursos, Caiado pegou o celular, abriu a calculadora e fez a conta. Foi nesse instante que o presidente da Goinfra, Pedro Salles, se aproximou, mostrou uma mensagem no celular e disse: “Comigo.” A palavra intrigou — e precisa ser investigada.
• Valor exorbitante
“Comigo” é também o nome da Cooperativa Agroindustrial do Sudoeste Goiano, que mantém contratos semelhantes aos de Pires do Rio (PPP) com o governo Caiado.
Em novembro de 2024, a Goinfra firmou parceria com a Comigo para duplicar 6,5 km da GO-210, em Rio Verde, ao custo de R$ 63,3 milhões — ou R$ 9.738.461,54 por quilômetro.
Valor superior ao da obra de Pires do Rio, já tida como superfaturada. Em abril, outro contrato de R$ 158 milhões foi anunciado com a mesma cooperativa, para obras no anel viário de Rio Verde e duplicação da GO-174.
• Interesses cruzados
Quando o governador muda o tom com um prefeito que denuncia números absurdos, e o presidente da Goinfra responde com uma palavra enigmática — “Comigo” —, há mais do que vaidade política em jogo.
Há indícios de superfaturamento em escala nas obras executadas neste formato. O Ministério Público de Goiás precisa confrontar os contratos, os cálculos e os bastidores. A coisa parece ser cabeluda, com cheiro de caixa 2 para as campanhas eleitorais de 2026.

















