Saúde
• O paulista Geraldo Vaz Junior, de 58 anos, vive um caso raro e grave na medicina brasileira: ele recebeu um fígado transplantado com células cancerígenas. A cirurgia ocorreu em março de 2023, no Hospital Albert Einstein, e meses depois foi descoberto que o órgão transplantado apresentava um adenocarcinoma — um tipo maligno de câncer. Em agosto de 2024, o paciente foi diagnosticado com metástase pulmonar do mesmo tipo de tumor. As informações são do portal Metrópoles.
O transplante e o diagnóstico
• Geraldo, que sofria de cirrose hepática por hepatite C, recebeu o fígado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através do Programa Proadi, que realiza procedimentos de alta complexidade em parceria com hospitais privados.
• Sete meses após a cirurgia, exames apontaram seis nódulos no órgão transplantado. Testes genéticos mostraram que as células cancerosas tinham DNA feminino, comprovando que o tumor veio da doadora.
Retransplante e metástase
• Em maio de 2024, Geraldo passou por um retransplante de fígado. Mesmo assim, em agosto, exames revelaram que o câncer havia se espalhado para o pulmão.
• A conclusão médica indica que a doadora tinha um câncer não detectado durante a triagem. “Células tumorais estavam presentes no fígado doado, mas em quantidade microscópica, invisível aos exames de rotina”, explicou a especialista.
Raridade
• Segundo especialistas, casos de transmissão de câncer em transplantes são extremamente raros — menos de 0,03% das doações no mundo.
• O oncologista Paulo Hoff, da USP, reforça que mesmo com os protocolos mais rigorosos, tumores ocultos podem passar despercebidos.
• O Ministério da Saúde informou que acompanha o caso, afirmou que todas as normas e parâmetros internacionais foram cumpridos e que não foram identificados sinais de doença no doador antes da cirurgia.
Luta e indignação
• Sem perspectiva de cura, Geraldo faz sessões contínuas de quimioterapia para conter a metástase.
• A esposa, Márcia Helena Vaz, cobra respostas das autoridades: “Não cabe silêncio institucional. Isso precisa ser investigado para que não aconteça com outro paciente.”

















