• Confronto planejado
Está na cara que o que o coronel Edson Melo queria era afastar o delegado Carlos Alfama, que investigou um esquema grave de tráfico de drogas, grupo de extermínio e milícia dentro do Comando de Operações de Divisas (COD), no período em que ele, Edson, chefiava a unidade.
Ao atacar publicamente o delegado nas redes sociais, o coronel desencadeou uma crise institucional que terminou exatamente como pretendido: com o afastamento de ambos — e, sobretudo, com o investigador punido.
• Plano em execução
“A estratégia foi calculada”, informou uma fonte da Polícia Militar. Edson Melo, afastado do COD desde que o caso veio à tona, voltou recentemente ao cenário com promoção.
Ele foi visto recentemente circulando na Delegacia de Homicídios, segundo fontes, justamente onde atuava o delegado Alfama.
O episódio que liga os dois é o assassinato de Marines Pereira Gonçalves, de 42 anos, e Junio José de Aquino Leite, de 40, mortos com tiros de fuzil em 1º de abril de 2024, no Setor Jaó, em Goiânia, por policias.
Agentes do COD alegaram confronto, mas um aplicativo no celular de uma das vítimas gravou toda a execução. A gravação revelou que não houve troca de tiros — foi uma execução.
• Afastamento duplo
Depois do confronto cibernético entre o coronel e o delegado nas redes sociais, a Secretaria de Segurança Pública divulgou nota informando o afastamento de ambos. Alfama foi ultrajado por Edson nas redes sociais, que em vídeo o chamou até de moleque, ao responder, ele caiu na armadilha.
O comunicado, assinado pelo secretário Renato Brum dos Santos, reforça que “não coaduna com posturas individualizadas de agentes públicos” e que os dois ficarão à disposição das corregedorias.
O problema é que, ao afastar os dois, o plano de Edson foi consumado: o delegado responsável pela investigação foi neutralizado. Assim, o coronel sai de cena como suspeito, mas leva junto quem o investigava — uma manobra. Resta ver se o caso ficará impune ou não. Em tempo: quem tumultua uma investigação deve ser preso.

















