quinta-feira , 23 abril 2026
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“Frutos da árvore envenenada”: estratégia salvou investigação e expôs esquema milionário na saúde durante a gestão de Gustavo Mendanha

• Provas anuladas quase derrubaram o caso

Durante o andamento na Justiça Federal, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) havia anulado provas colhidas na Operação Parasitas, ao reconhecer a incompetência da Justiça Estadual. A decisão colocou em risco toda a investigação que tratava de contratos da saúde durante a gestão de Gustavo Mendanha.

Para impedir que o caso fosse contaminado pela chamada “teoria dos frutos da árvore envenenada”, o Ministério Público Federal, por meio do Gaeco, arquivou o inquérito original e solicitou a abertura de um novo procedimento, retirando os elementos anulados.

• Nova base garantiu continuidade

A investigação foi reconstruída com base em provas independentes, obtidas a partir de contratos públicos disponíveis em portais de transparência. Com isso, o MPF sustentou a legalidade das evidências e deu continuidade às apurações.

Na nova fase, foram autorizadas quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático. A Polícia Federal analisou grande volume de dados, conseguindo mapear o caminho do dinheiro e a estrutura da organização investigada.

• Contratos direcionados e propina

Segundo os elementos colhidos, controladores da organização social direcionavam contratos superfaturados de leitos de UTI para empresas específicas. Em contrapartida, cerca de 10% dos valores recebidos eram repassados como propina.

• Lavagem de dinheiro estruturada

Para ocultar os recursos, os investigados teriam utilizado transferências sucessivas entre contas e saques fracionados em espécie, com valores elevados. O dinheiro teria circulado por meio de contratos fictícios e empréstimos simulados.

Os valores passaram por contas de terceiros, incluindo familiares, advogados e empresas sem atividade real, numa tentativa de dificultar o rastreamento.

• Movimentações para esconder o rastro

A análise financeira também apontou o uso de movimentações circulares, com envio e devolução de valores entre contas para criar barreiras contábeis. Todo esse modelo teria funcionado dentro da estrutura da saúde pública de Aparecida de Goiânia durante a gestão de Gustavo Mendanha.