terça-feira , 30 junho 2026
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Definição de candidaturas deixa fissuras e mágoas na base aliada e na oposição

O processo de definição de candidaturas em Goiânia foi traumático tanto para base aliada ao governador Marconi Perillo (PSDB) quanto para o bloco de oposição.

Na base, partidos aliados reclamam do comportamento do PSDB. Os tucanos, de largada, tentaram alavancar a candidatura de Jayme Rincón, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). Não deu certo, mas nem por isso o partido buscou opções em outros flancos da base. Insistiu em ter candidato próprio com o deputado federal Giuseppe Vecci, que também demorou a dialogar com aliados e, além disso, não caiu nas graças do eleitorado.

Com a desistência de Vecci, no começo da semana passada, imaginava-se que o PSDB abraçaria um dos dois outros pré-candidatos mais próximos ao governador – Luiz Bittencourt (PTB) ou Francisco Júnior (PSD), mas o que aconteceu é que o Palácio das Esmeraldas buscou Iris Rezende (PMDB) e acabou com Vanderlan Cardoso (PSB), o que PSD e PTB enxergaram como sinal de desprezo a companheiros antigos.

Somado à sinalização de desprezo houve também o veto do ex-prefeito Nion Albernaz (PSDB) à postulação de Bittencourt, o que deixou o petebista tão chateado quanto estavam Francisco, o deputado federal Thiago Peixoto (PSD) e o deputado Vilmar Rocha (PSD).

Na base, entretanto, ninguém saiu mais chateado desse processo do que Giuseppe Vecci, cuja candidatura e apelos por união foram solenemente ignorados pelos outros partidos do bloco marconista. Também feriu o orgulho do deputado o fato de ter perdido uma parte dos seus mirrados percentuais nas pesquisas de intenção de voto na última pesquisa Serpes/O Popular do período pré-eleitoral, em que pese a grande quantidade de reuniões que ele fez na cidade.

OPOSIÇÃO
Não menos fissuras este processo causou na oposição, que ficou menor do que era. O bloco não atingiu o objetivo pré-estabelecido, que era lançar um candidato com o apoio do PMDB, DEM, Solidariedade e PRP. O vaivém do ex-governador Iris Rezende, o egoísmo do diretório metropolitano do PMDB, a intransigência do deputado Daniel Vilela (PMDB) e a truculência do senador Ronaldo Caiado (DEM) impediu o grupo de chegar unido às convenções.

A principal perda foi o rompimento do Solidariedade, que vai apoiar o candidato do governo, Vanderlan Cardoso (PSB). O deputado Lucas Vergílio, presidente do partido, cospe marimbondos ao referir hoje ao PMDB – a quem acusa de “olhar só para o umbigo”. Lucas evita ser assertivo, mas o fato é que o SD está com um pé dentro da base de Marconi outra vez.

Há um capítulo à parte nessa história toda e que diz respeito a Daniel, Iris, o prefeito Maguito Vilela e a ex-deputada Dona Iris. Daniel transformou em questão de honra a missão de sabotar os preparativos para a pré-candidatura do ex-governador. Seu objetivo era escantear Iris do PMDB e tomar de assalto o comando do partido. Houve um momento em que Iris e dona Iris pareciam derrotados. O velho cacique renunciou à carreira política e declarou-se aposentado. A ex-deputada brigou, esperneou e provocou Daniel o quanto pôde no Twitter. Mas Iris voltou, mais forte do que nunca e decidido a trucidar Daniel – ainda que, para isso, seja necessário unir forças com Marconi.

Sabe-se lá que cenário emergirá na política goiana depois de tantos lances, jogadas e movimentos ousados. Mas fica a certeza de que tudo mudou. As peças não estão mais no mesmo lugar. Haverá reflexos em 2018.

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